Ansiedade – O que é e como se manifesta

A ansiedade é uma emoção desagradável, semelhante ao medo.

Quando a ansiedade é forte e intensa torna-se, por vezes, muito difícil de suportar, podendo acarretar um grande sofrimento – esse sofrimento pode ser psíquico (medo, terror, etc.), mas também físico (suores frios, palpitações, dores de barriga, tremores, sensação de desmaio) e pode ser muito intenso, a ponto de condicionar alterações do comportamento (desde ficar afundado na cadeira sem ser capaz de se mexer até se apresentar muito agitado, exprimindo uma grande angústia, a andar de um lado para o outro, a respirar de forma ofegante e sentindo-se incapaz de estar quieto).

Assim, existem, na ansiedade:

  • Sintomas Psíquicos
  • Sintomas Físicos ou Somáticos
  • Alterações de Comportamento

É normal vivenciarmos um certo grau de ansiedade no nosso dia a dia, o qual, muitas vezes, pode até ser útil para nos estimular a agir.

São conhecidos de todos nós os sintomas da ansiedade, quer psíquicos, quer físicos (somáticos), e que incluem sentimentos de medo e de pânico, palpitações, suores e tremores, entre outros, suscitados por uma situação que se teme, tal como um exame ou uma intervenção em público.

A ansiedade normal funciona como um impulso no sentido de ultrapassar, eliminar ou resolver a situação que é sentida como ameaça.

Sob este ponto de vista, a ansiedade, em níveis aceitáveis, melhora o desempenho do indivíduo, aumentando as suas capacidades para resolver os assuntos que o trazem ansioso – por isso se diz que a ansiedade normal é adaptativa.

Por exemplo, uma certa dose de ansiedade antes de um exame faz com que um aluno tenha um melhor rendimento, tornando-o mais atento e menos disperso no seu estudo, as suas capacidades de concentração e memorização aumentam, o aluno sente-se mais motivado e suporta mais horas de estudo do que o usual – por isso mesmo, a ansiedade é, neste caso, adaptativa, porque “adapta” o estudante (no sentido de que melhora o desempenho deste) à situação que lhe causa ansiedade (neste caso, o exame que se aproxima).

Nesta situação, a ansiedade é geralmente sentida e descrita como “nervosismo” e, não sendo causa de sofrimento, é considerada normal, por ser aceitável, justificável, compreensível e adaptativa.

A ansiedade passa a ser considerada patológica (ou sintoma de doença) quando atinge graus de intensidade de tal modo elevados que passa a ser causa de sintomas físicos e psíquicos que já traduzem sofrimento significativo e conduzem a comportamentos desadequados em relação à situação que é aparentemente a causa de ansiedade.

Usando o mesmo exemplo, se o estudante encarar o exame com excessiva ansiedade, em vez de sentir um “nervosismo estimulante”, vivenciará uma sensação de “medo” ou “terror” que o incapacitarão de se concentrar no estudo.

Poderá, ainda, ter sintomas físicos desagradáveis, tais como palpitações (sentir o coração bater com força ou depressa), sensação de falta de ar, tremores nas mãos, cólicas, etc.

Por vezes, torna-se impossível controlar os sintomas físicos causados pela própria ansiedade. A sensação de impotência, resultante da perceção dessa incapacidade, vai aumentar ainda mais a ansiedade já existente.

Por sua vez, a esse acréscimo de ansiedade, vai corresponder um agravamento dos próprios sintomas físicos.

Gera-se, desta forma, um círculo vicioso:

ansiedade-1

Assim, a ansiedade é patológica quando é desproporcionadamente intensa em relação à situação que é aparentemente causa da ansiedade, não sendo, por isso, justificável, compreensível, nem adequada, por não ser adaptativa.

A ansiedade é uma emoção é diferente do medo.

Nem sempre a ansiedade é patológica.

A ansiedade manifesta-se por:

– Sintomas psíquicos

– Sintomas físicos ou somáticos

– Alterações do comportamento

A ansiedade é um dos sintomas mais frequentes observados na prática clínica, podendo ocorrer em qualquer doença.

A ansiedade aparece frequentemente associada à depressão.

Assim sendo, a ansiedade manifesta-se por: 

1 – Sintomas psíquicos:  

A ansiedade é uma emoção desagradável, semelhante ao medo (mas diferente deste), vivenciada de forma muito intensa. Estes são os sintomas psíquicos mais comuns:

  • Pode haver uma grande dificuldade em se concentrar e tomar decisões. Pode apresentar-se agitada, confusa e inquieta.
  • Pode ter uma vaga, mas persistente preocupação de que algo de terrível   está para acontecer – medo de ficar louco, medo de praticar um acto de descontrolo ou medo de morrer – em última instância, o indivíduo pode estar muito apreensivo e até ser incapaz de especificar a natureza da catástrofe que sente eminente.
  • Pode sentir-se ligeiramente deprimido, sentimento que pode ir até à melancolia profunda (nos casos de depressão com ansiedade), ou pode estar irritável e muito sensível, vibrando desagradavelmente com qualquer pequeno ruído, e ainda ter dificuldades em dormir e apresentar insónias.
  • Em alguns casos, a ansiedade é vivida como episódios agudos de pânico, de tal forma intensos que o indivíduo sente urgência em fugir e   escapar a uma situação ameaçadora que lhe é intolerável.

2 – Sintomas físicos:

Os sintomas físicos ou somáticos podem manifestar-se em qualquer órgão – estes sintomas não estão relacionados com qualquer doença física demonstrável e, assim, são considerados psicogénicos, isto é, as suas origens são mais psicológicas que orgânicas (por exemplo, a pessoa pode sentir palpitações sem ter qualquer doença cardíaca ou dores de estômago sem ter qualquer úlcera ou gastrite).

Os sintomas físicos mais frequentes podem ser:

          Sintomas cardiovasculares:

  • Palpitações (sentir o coração bater com força)
  • Taquicardia (sentir o coração bater depressa)
  • Dor précordial (sentir dor no peito)
  • Acessos de calor e palidez

          Sintomas respiratórios:

  • Sensação de opressão ou peso no tórax
  • Dispneia: falta de ar ou dificuldade em respirar até à asfixia
  • Polipneia: respirar depressa e superficialmente

          Sintomas digestivos:

  • Sensação de “bola esofágica”: sensação de um nó na garganta, com a impressão de se estar sempre engasgado e dificuldade até, em engolir a própria saliva.
  • Cólicas abdominais: dores de barriga muito fortes que, ora vêm, ora aliviam (são comuns as “dores de barriga dos exames”). Pode ou não haver diarreia concomitante.
  • Dispepsia: sensação de azia ou ardor no estômago
  • Aerofagia: engolir ar e arrotar com frequência
  • Náuseas (vontade de vomitar)
  • Vómitos (que podem ser vómitos secos)

         Sintomas genito-urinários:

  • Polaquiúria: necessidade de urinar várias vezes, urinando pouco de cada vez.
  • Enurese: urinar durante o sono
  • Ejaculação precoce
  • Frigidez
  • Impotência sexual

          Sintomas neuromusculares:

  • Tremores das mãos
  • Parestesias: sensação de formigueiros nos membros ou na face
  • Dores de cabeça

          Sintomas neurovegetativos:

  • Secura da boca
  • Sudorese: suar abundantemente
  • Tonturas, por vezes muito intensas, levando ao desmaio
  • Lipotimia: queda no chão por desmaio, podendo haver ou não perda dos sentidos

Estes sintomas – sintomas físicos – resultam da activação do sistema nervoso e hormonal, sendo libertadas para o sangue hormonas como a adrenalina e a noradrenalina.

Assim, como vimos, os sintomas físicos podem incluir uma enorme variedade de queixas, tais como palpitações, suar profusamente, mal-estar gástrico e intestinal e sensações de fraqueza e de desmaio.

Observemos uma descrição de um doente ansioso:

“-Senti um nó no estômago, uma sensação de calor por todo o corpo, os músculos contraídos, a garganta inchada…. Tinha muitas tonturas e, por vezes, pensei que ia desmaiar…. Reparei que começava a suar das mãos, ao mesmo tempo que tremia muito e faltava-me o ar… Era como se tivesse alguma coisa a arder no peito…”

3 – Alterações do comportamento:

Muito frequentemente, o doente ansioso apresenta intenso desassossego, tremor, com incapacidade para estar quieto – com movimentos incessantes, sem finalidade aparente, como sejam, esfregar as mãos, arrepanhar os cabelos ou ficar a andar de um lado para o outro.

É ainda frequente um comportamento de dependência, procurando segurança e compreensão junto de outras pessoas – dado o seu sentimento de incapacidade, solicitam frequentemente os seus familiares e amigos para que o ajudem nas tarefas mais simples, manifestando grande mal-estar e inquietação caso essa ajuda seja recusada – vejamos um exemplo deste comportamento de dependência, dado por uma doente:

“- Não sou capaz de fazer nada… Só de pensar que tenho que tenho que fazer o almoço ou o jantar fico logo pior… Se não é a minha nora a ajudar-me não sei como seria… Nem o telefone eu consigo atender…. Qualquer coisa me põe mais nervosa…”

O comportamento de dependência, não sendo exclusivo do doente com ansiedade, é bastante frequente no doente ansioso.

Menos frequentemente, o doente ansioso pode apresentar inibição marcada chegando ao estupor, com incapacidade para falar ou mover-se.

Mais raramente ainda, poderá apresentar condutas agressivas com acessos de cólera ou actos impulsivos.

Tratamento para os sintomas de Ansiedade

O objectivo do tratamento das perturbações de ansiedade é a remissão dos sintomas, permitindo a recuperação funcional (laboral, social e familiar), assim como a melhoria da qualidade de vida.

O tratamento pode dividir-se em duas vertentes, igualmente eficazes e complementares:

Tratamento farmacológico;

Tratamento psicológico/psicoterapêutico.

Tratamento Farmacológico

Existem várias opções medicamentosas no tratamento das perturbações de ansiedade.

De acordo com os consensos internacionais, a 1ª escolha deverá recair sobre os fármacos do grupo dos inibidores selectivos da recaptação da serotonina (em inglês, SSRI). Exemplos destes medicamentos são a fluoxetina, paroxetina, escitalopram, citalopram ou sertralina.

Em 2ª escolha, são utilizados frequentemente os inibidores da recaptação da noradrenalina e da serotonina (em inglês, SNRI), como por exemplo a venlafaxina e a duloxetina.

Em ambos os casos tratam-se de medicamentos com várias décadas de utilização, seguros e eficazes, bem tolerados, com uma reduzida frequência de efeitos secundários.

Neste aspecto, os efeitos secundários mais comuns são, inicialmente, os gastrointestinais (náuseas, diarreia), que cessam após os primeiros dias com a continuação da toma Posteriormente, os efeitos secundários sexuais são os mais frequentes, nomeadamente a redução da libido ou o atraso ou ausência de orgasmo, mas que são reversíveis e cuja gestão é possível.

O tratamento demora em média cerca de duas a quatro semanas para demonstrar o seu efeito terapêutico inicial, levando até dois meses para atingir o seu potencial máximo.

O tratamento deverá ser mantido, pelo menos, durante seis a nove meses, de acordo com a indicação médica.

Em termos do alívio rápido dos sintomas e como medicação para episódios de agravamento súbitos, poderão ser utilizados medicamentos do grupo dos ansiolíticos. Um exemplo destes são os fármacos do grupo das benzodiazepinas (alprazolam, clonazepam, diazepam, bromazepam, entre outros). Contudo, estes devem ser utilizados o menor tempo possível, na menor dose possível, pois apresentam o risco de dependência, desenvolvendo o doente tolerância (necessidade de doses cada vez maiores para atingir o mesmo efeito terapêutico) e sintomas de abstinência (rápido incremento da ansiedade quando não tomar o medicamento).

Poderão ser utilizados na fase inicial do tratamento com os SSRI ou SNRI, até que estes atinjam o efeito terapêutico, na melhoria da insónia e em episódios agudos de agravamento.

Tratamento psicológico ou psicoterapêutico

A maioria dos casos das perturbações de ansiedade pode ser tratada com sucesso por profissionais de saúde mental. A terapia cognitivo-comportamental é uma das terapias mais eficazes para a ansiedade.

Os psicoterapeutas são habitualmente psicólogos clínicos ou, mais raramente, psiquiatras que se especializaram em Psicoterapia.

A terapia comportamental envolve a utilização de técnicas para reduzir ou interromper os comportamentos indesejados associados a estas perturbações. Uma destas ferramentas consiste em ensinar aos pacientes técnicas de respiração profunda e relaxamento para neutralizar a agitação e a hiperventilação (respiração rápida e superficial) que acompanham certas perturbações de ansiedade.

Através da terapia cognitiva, os pacientes aprendem a entender como os seus pensamentos contribuem para o início e a manutenção de sintomas, e a modificar esses padrões de pensamento para reduzir a probabilidade de recorrência dos mesmos.

Aumentar a consciência cognitiva e emocional do paciente é muitas vezes conseguido através de técnicas comportamentais de dessensibilização sistemática que o ajudam a lidar e tolerar gradualmente com situações de medo progressivamente mais intenso num ambiente controlado e seguro.

Em conjunto com a psicoterapia, a medicação adequada e eficaz pode desempenhar um papel importante no tratamento da ansiedade. Nos casos em que é recomendada medicação, o tratamento dos pacientes pode ser feito por um psicólogo em colaboração com um médico psiquiatra.

Não deixe de ler o nosso artigo neste blog sobre os diferentes tipos de Perturbação de Ansiedade e tratamentos disponíveis em

Terapias para a Ansiedade

https://psiworks.pt/terapias-para-a-ansiedade/

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